Caso Bernardo: Graciele, Edelvânia e Evandro encerram depoimentos

A manhã desta quinta-feira, 14, iniciou com o depoimento da ré Graciele Ugolini, 41 anos. Graciele é acusada de matar Bernardo ao injetar-lhe dosagem excessiva da substância midazolam, e ocultação de cadáver.

Natural de Santo Augusto, a ré morou com os pais até os 15 anos, quando foi cursar o ensino médio em um internato em Ijuí, após fez faculdade de enfermagem em Ijuí.

Perguntada pela Juíza, Sucilene  Engler Werler, sobre a veracidade dos fatos lidos na acusação, Graciele respondeu que “a maioria dos fatos são verdadeiros”.

Sobre relacionamento com Leandro, ela conta tê-lo conhecido no município de Três Passos. Teria se identificado com ele por ser um homem inteligente e ambos trabalharem na área da saúde. Salienta inda que foram cerca de três meses para resolverem morar juntos. Ela estava ciente de que ele tinha um filho, uma criança.

Em seu depoimento ela fala que na época Bernardo era pequeno, amoroso e que percebia a carência do menino. ‘Abracei ele como filho, no começo éramos muito próximos’, conta.

Segundo ela, o relacionamento com o menino começou a mudar após ter sofrido um aborto espontâneo. Após muito choro, a ré lembra “depois de um ano engravidei novamente. Ai minha vida mudou mais ainda”.

“Eu lembro que Leandro tinha muito trabalho, Leandro não conseguia se desvincular do hospital. Em função disso, toda a outra parte da minha vida estava sobrecarregada”, salienta.

Graciele ainda conta que “toda a gravidez foi de risco, minha preocupação era cuidar da minha gravidez, era cuidar do meu bebê. Mas neste momento, não é que eu abandonei minha família, mas minha preocupação era com o meu bebê.  Eu cuidava só de mim”. A atenção que eu dispensava para o Bernardo não era como antes, finaliza.

A ré conta  que  quando Maria Valentina nasceu as coisas pioraram. “Ela nasceu prematura, com menos de dois quilos… então o meu medo era de perder ela…Todo o meu amor foi pra ela, até meu amor próprio eu perdi… Eu só cuidava dela, eu só amava ela”, relembra.

Sobre a morte de Bernardo

Graciele afirmou que foi pra Frederico Westphalen alguns dias antes da morte de Bernrdo para realizar tarefas particulares. Na oportunidade teria comprado algumas doses do remédio midazolam, pois estava cansada e não conseguia dormir, sabia que o medicamento causava essa relaxamento e ajudava a dormir.

“Peguei uma receita carimbada e eu mesma fingi uma assinatura do Leandro. Aconteceu só nesse momento que eu precisava desse remédios”, confirma a ré sobre a suspeita da falsificação da assinatura do médico em uma receita.

O fato acima ocorreu no dia 02 de abril de 2014. Dois dias depois, em 6 de abril, a ré narra que:

“Eu tinha programado de ir pra lá pra comparar a televisão. A gente almoçou, o Leandro foi dormir. A Maria foi domir. Levantei peguei minha bolsa e disse que ia para Frederico Westphalen. Bernardo pediu se podia ir comigo.

Ele pediu um remédio pra enjoo. Aí dei um Dramim para ele. No caminho, a Polícia Rodoviária nos atacou, recebi uma multa por excesso de velocidade e o Bernardo ficou nervoso. Dei uma ritalina para ele tomar, tomou uma água. Pensei vou dar mais um remédio para ele dormir. Aí ele continuou agitado, ai dei mais um e ele não dormiu eu disse, para então tomar mais um, passei minha bolsa para ele no banco de trás e disse para pegar na bolsa o remédio. Não olhei se ele tomou ou não tomou, por que ele sabia tomar direitinho.

A gente seguiu, a Edelvânia estava me esperando. A gente desceu do carro, foi pro carro dela, andamos e paramos num lugar para descer e vi que ele já estava dormindo. Ai chamei ‘Bernardo vamos’ e aí de repente eu olhei, ele tava encostado assim e ele tava babando e eu levantei a camiseta dele e vi que não tinha movimento respiratório. Ai peguei no pulso e vi que não tinha mais batimento. Eu chacoalhei, mexi nele e nada. Tava desesperada. Disse pra Edelvânia ‘acho que ele tomou meu remédio’. Peguei minha bolsa e olhei e eram uns 5 ou 6 comprimidos que não estavam na cartela.

A Edelvânia disse, vamos levar pro hospital. E eu disse que não por que iam achar que eu dei remédio de propósito. Eu tava sem reação. Eu pensava no que as pessoas iam falar, que iam me abusar, que eu ia ser presa, que eu ia ficar longe da minha filha.

Pedi pra ela me ajudar, ‘a gente têm que esconder o corpo’. Ela me falou tem um lugar que a gente pode enterrar, que a mãe dela morava no interior e que a gente poderia enterrar em algum lugar… A gente andou muito, muito. Ai a gente chegou num lugar e disse, acho que pode ser aqui. Ai ela começou cavar o buraco. Ela cavou o buraco, a gente colocou ele ali dentro, colocamos as pedras… e colocamos folhas por cima.”

Por orientação dos advogados, Graciele não respondeu às perguntas do Ministério Público.

Após afirmar que os custos com a defesa estão sendo custeadas pela família, Graciele encerrou o depoimento com a seguinte frase: “Eu só quero cuidar da minha filha, só isso. Eu preciso que as pessoas entendam que isso foi um acidente… eu admito, eu errei do começo ao fim, eu fiz tudo errado. Mas tudo o que aconteceu não foi por querer”.

Edelvânia desmaia durante depoimento

edelvania

Por volta das 11h40 iniciou o depoimento de Edelvânia Wirganovicz. “Eu não matei o Bernardo”, disse a acusada logo ao ingressar na sala do júri.

Edelvânia diz que comprou midazolam a pedido de Graciele. Nega que tenha comprado soda cáustica. Sobre a pá, admitiu a compra. Conta que, depois da troca de carro, Bernardo começou a ficar agitado e Graciele disse ele para tomar remédio. O menino fica logo inconsciente. Queria pedir socorro, mas Graciele disse que não. “Então tu acabou de matar o Bernardo”, Edelvânia disse a ela.

A ré admitiu que abriu a cova sozinha, sem o auxílio do irmão. ” A delegada me coagiu” durante depoimento, afirma a ré. Diz que ditavam o que ela falava. Edelvânia afirma que não recebeu dinheiro de Graciele, e que pagou prestação de apartamento com o próprio salário.

Um pouco após, Edelvânia passou mal e desmaiou. A sessão foi encerrada e Edelvânia foi retirada do plenário, sob supervisão da enfermeira. Após a realização de um exame médico, Edelvânia se reapresentou. Defensores, porém, avisam que ela não responderia a mais perguntas.

Evandro se declara inocente

evandroJá eram quase 15h horas quando Evandro Wirganovicz deu entrada ao plenário do júri para responder as perguntas da Juíza Sucilene. Logo de imediato, a defesa do réu comunicou que ele não responderia aos questionamentos do Ministério Público.

“Não fiz nada, não sabia de nada”, disse o réu sobre acusações. Ele declara ainda que mentiu ter estado no local do crime por medo, e que soube dos fatos pela imprensa. Emocionado, Evandro disse que quer voltar para os filhos. “Eu não devo. Eu não fiz. Eu perdi tudo”. “Não sou contra a justiça, mas eu não fiz, eu não devo”, encerra.

Agora, ocorre o primeiro momento de debates, onde o ministério público expõe os fatos incriminatório da acusação dos réus.

(Fotos: Carina de Oliveira e Tribunal de Justiça do RS)

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