Cidade Cinematográfica

Três Passos irá respirar cinema no segundo semestre de 2016. Além do Festival de Cinema, programado para novembro, já no próximo mês terá inicio o Projeto Cidade Cinematográfica. Com atividades até dezembro, o programa ofertará sessões semanais de cinema, oficinas audiovisuais, debates com profissionais da área, produção de curtas-metragens e muito mais. Todas as atividades gratuitas e abertas a toda cidade e região.

Com lançamento oficial previsto para o dia 13 de julho, o Projeto Cidade Cinematográfica irá começar suas atividades com a exibição do documentário “Um Filme Sobre Bom Fim”. A sessão dará inicio à programação de um cineclube na cidade, que deve trazer novos títulos todas às quartas-feiras, sempre no Cine Teatro Globo. A ideia é que as exibições sejam acompanhadas de um debate sobre as temáticas de cada longa, bem como o processo de produção.

A agenda do cineclube trará filmes diferenciados, fugindo da linha comercial. Com espaço para o cinema mundial, também deverão ser exibidos diversas produções gaúchas. A ideia é que o trabalho no Cineclube atraia o interesse da comunidade, para que possa se tornar algo fixo na programação cultural de Três Passos.

O cineasta Henrique Lahude, 27 anos, teve a iniciativa do programa, e acredita que Três Passos pode se tornar um polo produtor de cultura. Trabalhando com audiovisual há 8 anos, Henrique prepara seu terceiro filme como diretor, e já esteve envolvido em dezenas outras produções. Entusiasta, Lahude destaca que os três-passenses precisam valorizar o cinema local. “Todo mundo que vem de fora, e encontra essa estrutura, com cadeiras de madeiras, tem um impacto muito grande”, ressaltou, lembrando que é preciso “olhar mais para o que é da gente”.

Dentre outros 76 projetos, o Cidade Cinematográfica foi selecionado por um edital do FAC (Fundo de Apoio a Cultura), da Secretaria de Cultura do Estado, o que permite organizar a programação por seis meses. O projeto conta ainda com o apoio do Festival de Cinema de Três Passos, Movimento Pró-Arte, Secretaria Municipal de Educação, 21ª Coordenadoria Regional de Educação e do Cine Teatro Globo.

Dividida por eixos, o Cidade Cinematográfica será uma importante atividade educacional, promovendo alfabetização audiovisual em núcleo escolar. Em um primeiro momento, serão realizadas oficinas com professores para formação e aperfeiçoamento do audiovisual em sala de aula. Para na sequência, ofertar aos estudantes oficinas que ensine as etapas para realizar um filme. “O cinema é uma arte que consegue abranger história e até matemática através da técnica. Uma área que precisa ser valorizada dentro das escolas”, ressaltou Henrique.

As oficinas oportunizarão ainda o desenvolvimento de curtas para que possam ser exibidos durante o Festival de Cinema. Com o embasamento teórico e apoio técnico, espera-se que as produções possam marcar o nascimento de um trabalho local, para que as pessoas tenham acesso ao que elas mesmos produziram. Também é objetivo do projeto descobrir novos talentos, que sintam-se incentivados a darem continuidade na produção audiovisual, para que seja possível a exibição de uma mostra local em edições futuras do Festival.

O Jornal Atualidades trocou uma ideia com Henrique, e você confere abaixo algumas opiniões do cineasta sobre o Fundo de Apoio a Cultura, próximos projetos, e as inspirações para o seu trabalho.

FAC e MinC – O Fundo de apoio a cultura é abastecido pela LInC, e é fundamental para pluralizar a cultura. É a oportunidade de valorizar a questão de acesso do público, através da democratização dos recursos. Sobre aos críticos ao Ministério da Cultura, não podemos apenas criticar, mas entender um pouco mais o que acontece, e como chega a cada membro da classe artística.

Próximo projeto – Meu próximo filme é um híbrido de ficção e documentário sobre os imigrantes haitianos. Estamos realizando uma pesquisa completa, para que possamos acertar ao dar voz às pessoas representadas. Espero poder apresentar o curta na edição 2017 no Festival, este que será meu terceiro filme como diretor.

Inspirações – Sempre me interessou por essa coisa do híbrido entre ficção e documentário. Esse formato traz muito potencial, pois questiona o que é o “real”. O que importa é como a história é contada. Se te emociona, não faz diferença se ele é ficção ou real. Eduardo Coutinho e Jorge furtado são grandes referências ao meu trabalho.

Sobre a tecnologia e novas plataformas – Sou otimista quanto ao alcance dos filmes, mas também é preciso analisar os impactos causados. É preciso ideia, e conhecer linguagem, e como trabalhar. Os recursos são muitos e estamos passando por uma revolução.

Toda programação e os detalhes para se inscrever nas atividades serão publicados na página do Cidade Cinematográfica no Facebook.

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