Coletiva de imprensa: Direção e profissionais médicos prestam esclarecimentos

Em coletiva de imprensa na manhã de ontem, quinta-feira, 28, o diretor do Hospital Ademir Dreier, o diretor do corpo clínico, médico Silvio da Silva Neto, o coordenador da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e médico Danilo Cerutti e o médico Conar Heck Weiller, prestaram esclarecimentos sobre o os acontecimentos dos últimos dias.

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Ademir, diretor, e médicos Silvio, Cerutti e Conar.

 

O Diretor do HCTP, Ademir Dreier, salientou que a atual situação da instituição se dá devido à falta de repasses e fracionamento dos pagamentos por parte do estado do Rio Grande do Sul, o que prejudica o fluxo de caixa. Disse ainda que “os atrasos constantes fazem buscar recursos financeiros que geram juros  e que também muitas vezes é necessária a renegociação das dívidas”.

Entenda:

HCTP: Médicos paralisam atividades

Os cerca de 35 profissionais que integram o Corpo Clínico do Hospital de Caridade de Três Passos (HCTP) decidiram, em reunião realizada na noite da última segunda-feira, 18, paralisar os atendimentos efetivos no Hospital. A paralisação iniciou na terça-feira, 19.

Estão suspensos os atendimentos não emergenciais nos ambulatórios – serviços de urgência e emergência serão mantidos conforme rege a constituição -, exames, diagnósticos por imagem, endoscópicos, internações e procedimentos cirúrgicos feitos por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), Unimed, IPE, CISA e de mais convênios. O oficio de comunicado foi aceito de forma unanime pelos profissionais, emitido pelo Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Sul (SIMERS) e entregue à direção do Hospital.

O Jornal Atualidades esteve conversando com o Médico Silvio da Silva Neto, diretor do corpo clínico que assinou o oficio com o comunicado, juntamente com a médica Susilene Gonçalves, delegada do SIMERS.  Confira:

Jornal Atualidades: O que levou o corpo clínico do HCTP a tomar essa decisão?

Silvio da Silva Neto: Os profissionais resolveram tomar essa decisão devido aos atrasos nos pagamentos dos honorários médicos referentes aos contratos e plantões, que ocorrem desde janeiro deste ano.

J.A.: Esses atrasos são referentes aos repasses do SUS?

S.S.N.: Não apenas. O HCTP não está recebendo alguns repasses do estado, mas os honorários médicos que estão em atraso não são apenas esses. A direção e administração do hospital não repassaram aos profissionais médicos o valor referente aos seus honorários que foram depositados na conta da instituição por planos de saúde particulares, como a Unimed, por exemplo. Enfim, este dinheiro é depositado por estes planos ao hospital, mas não chega aos médicos.

J.A.: Qual a posição do HCTP em razão à posição tomada pelo corpo clínico? Houve alguma negociação?

S.S.N.: Há um mês ocorreu uma reunião entre a diretoria do Hospital, o Corpo Clínico e o SIMERS. Neste momento, notificamos que teriam 30 dias para tomar alguma decisão e nos dar uma resposta, caso contrário, paralisaríamos as atividades. O HCTP respondeu que apenas pagaria os honorários quando recebesse o valor em atraso do Estado. Tudo isso foi comunicado ao Ministério Público, ao SIMERS, a Coordenadoria Regional de Saúde e a Secretária Municipal de Saúde.

J.A.: O que o corpo Clínico espera agora?

S.S.N.: Esperamos que os órgãos de saúde, autoridades em todos os âmbitos, o Ministério Público e a Direção do Hospital trabalhem em conjunto e auxiliem na resolução deste problema. Está foi uma atitude que não gostaríamos de ter tomado, a saída que encontramos.

 

  • O Jornal Atualidades tentou contatou a Direção do Hospital de Caridade de Três Passos, porém até o fechamento daquela edição não obteve resposta.

Médicos da UTI do HCTP pedem demissão

Após o comunicado de paralisação das atividades feito pelo Corpo Clínico do Hospital de Caridade de Três Passos na última semana, a direção do HCTP  recebeu, na última terça-feira, 26, um ofício com o pedido de demissão dos cinco profissionais  médicos plantonistas e rotineiros da UTI da instituição.

No ofício, a equipe informou que as atividades serão encerradas em 30 dias após o comunicado. Entre os motivos que levaram os profissionais a tomar tal decisão enumerados no documento está a falta de contrato legal de prestação de serviços, a falha na elaboração dos contratos após inúmeras reuniões, ausência de reajuste salarial conforme reposição inflacionária (último ajuste ocorreu em janeiro 2014) e o atraso no pagamento dos vencimentos (quatro parcelas da negociação dos vencimentos de abril e maio de 2015 e janeiro, fevereiro e março de 2016). Além disso, os profissionais ressaltaram a incerteza e a falta de perspectiva da regularização dos pagamentos dos vencimentos em atraso e a importância e rotina dos seus serviços, que ocorrem 24 horas por dia.

O documento foi assinado pelos médicos Danilo Antonio Cerutti, Joey Webers, Saulo Vidal Sales, Rafael Wayss e Karine Rucker.

Fotos: Carina de Oliveira 

Confira o áudio da entrevista abaixo.


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