Colono e Motorista: eles semeiam e transportam as riquezas do país

Antes mesmo de o sol apontar no horizonte eles já estão em pé, prontos para mais um dia de trabalho. Eles acordam cedo, pois possuem a responsabilidade de alavancar a economia do país.
Apesar de diferentes, suas profissões sempre tiveram muito em comum: suor, garra e amor. O dia 25 de Julho é um dos feriados mais comemorados no Rio Grande do Sul. A data em homenagem ao Colono e Motorista demostra o reconhecimento aos serviços destes dois profissionais que levam o país para frente.
Conheça a história de um colono e de um motorista de Três Passos.

Agricultura de pai para filho

DSC_9561Que idade você tem? Consegue imaginar criar raízes e fixá-las em algum lugar? Quer dedicar sua vida a alguma atividade? Se sim, como inovar? Como se adequar ao que surge de novo, ou esquecer aquilo que já não lhe cabe mais? De que forma não se acomodar? Como transmitir tudo isso aos filhos, aos seus netos?
Estes são questionamentos que, de uma forma ou de outra, todos vamos acabar nos fazendo em algum momento de nossas vidas. E a resposta? Não há como saber. Cada um de nós irá tratar essas perguntas de formas diferentes e encontrar respostas diferentes. A única coisa a que podemos nos apegar são aos exemplos e histórias daqueles que já responderam boa parte destas questões.
Há 43 anos a vida do senhor Elo Fochin acontece no mesmo lugar. Uma propriedade rural na localidade de Vista Alegre, interior de Três Passos. O mesmo terreno é dividido por duas casas, uma dele e sua esposa, outra do seu filho Henrique e sua família. O pátio – um espaço grande, que transmite a energia de pessoas que amam estar ali – também é abrigo para pavilhões de criação de suínos e resguardo dos implementos agrícolas, que trabalham nas plantações, atividades que trazem o sustento das pessoas que ali vivem.
Assim que se casou, em 1974, seu Elo, que então residia em Crissiumal, mudou-se para a propriedade. Nesta época trabalhava em parceria com seu sogro. Investiam em alguns poucos suínos e plantavam 12 hectares de terra. Ao total possuíam 45 hectares, porém a falta de conhecimento e técnicas para realizar o manejo não possibilitava a sua utilização total.
Um ano após o casamento, adquiriram seu primeiro trator, o que facilitou o trabalho da família. Depois, investiram em um equipamento para auxiliar na limpeza das terras e apostaram no plantio de milho, soja e trigo. Mais tarde, compraram mais um trator e um caminhão.
Com o investimento, aos poucos adquiriram mais terras e aplicaram mais confiança nos suínos. Hoje, são quatro pavilhões que abrigam 1.200 porcos de engorda. Tudo isso foi conquistado por meio das dificuldades que todos os agricultores, nossos colonos, enfrentam: negociar preços, não ter a garantia de receber por seu trabalho e torcer para que o clima contribua, entre tantas outras.
Mas não são as conquistas financeiras de seu Elo que tornam a sua história uma inspiração. É o brilho em seus olhos quando fala com orgulho o nome de seu filho que mostra o quanto a sua vida e suas raízes valeram a pena.
Henrique, hoje com 35 anos, é quem agora conduz os negócios da família. Logo na chegada à sua propriedade podemos apreciar seu amor e sua preocupação: a produção de produtos orgânicos. Uma pequena horta construída atrás de sua casa denuncia que esta é uma propriedade diferente, engajada naquilo que, para o bem do universo, deve ser o futuro da produção de alimentos.
Atualmente, Henrique quer investir em uma ideia pioneira e inovadora para a região: a produção de soja orgânica. Segundo ele “a produção de sementes orgânicas sempre foi um propósito para a família”. O que acalentou a ideia, além da preservação da bacia do Erval Novo, onde estão inseridos, foi a “preocupação com o alto número de pessoas que sofrem de câncer em nossa região devido ao uso de grandes quantidades de agrotóxicos”, salienta.
Na última safra foram produzidos 24 hectares de milho semi orgânico em uma área experimental, que contou com acompanhamento da Emater e acadêmicos de agronomia da UERGS. A ideia é que a família Fochin passe a produzir grãos como a soja e o milho somente com adubação e controle de inços e pragas orgânicos.
É assim que esta família de agricultores se mantem firme na atividade: se adequando, inovando, conscientizando e amando tudo o que faz.
Na próxima edição e também em nossos portal de notícias (jornalatualidades.net) você confere um pouco mais sobre a produção orgânica de grãos realizada pela família Fochin.

Paixão por caminhões desde criança

jonesO transporte rodoviário é o principal meio de deslocamento de carga utilizado no Brasil. Estima-se que 65% de tudo o que é produzido é transportado por caminhões, fazendo com que a figura do caminhoneiro seja uma das mais importantes para o funcionamento do país. A vida na estrada é cheia de aventuras e desafios, alegrias e tristezas. Ser um caminhoneiro significa passar por dificuldades, viver longe da família, viajar pelo país e, acima de tudo, ter histórias para contar.
Natural de Três Passos, Jones Schuch é dono de seu próprio veículo, um caminhão de médio porte com tanque de leite. O caminhoneiro começou no ofício, paixão pela estrada que herdou do seu pai. “Meu pai começou a trabalhar com caminhão em 1994 e nunca mais parou, então desde criança eu sempre andava com ele por todos os lugares que ele ia, foi um pouco automático a escolha da profissão”. Hoje, aos 23 anos de idade, o motorista prefere não viajar para muito longe de casa, fazendo percursos apenas entre o interior de Três Passos e algumas cidades da região. “Eu fico todos os dias em casa, prefiro não fazer fretes para muito longe, no momento, ainda estou começando na área então é melhor ficar por aqui, e como tem demanda de serviço não fico ocioso”.
Apesar do amor pela profissão, Jones diz que para ser motorista é necessário vontade de trabalhar e coragem. “Sair para a estrada não é uma coisa fácil, as estradas são perigosas, ficamos mais de doze horas percorrendo diversas localidades, e faça chuva ou faça sol temos que trabalhar, não tem como ficar em casa. É um compromisso muito sério.”
O caminhoneiro trabalha todos os dias, inclusive nos feriados, sua rotina de trabalho começa às 2 horas e encerra em torno das 15 horas, percorre por semana em média 1.550 km entre as localidades e cidades que trabalha. Ele enfatiza que no inverno e em dias chuvosos são os momentos mais difíceis da profissão. O sono, as estradas com muitos atoleiros e o frio já o fizeram pensar em desistir da vida na estrada, porém as amizades e a paixão pela profissão o fizeram repensar na desistência do ofício.
Jones enfatiza que apesar de todas as dificuldades que os caminhoneiros enfrentam, ele se vê realizado na profissão visto que transportam o alimento e o sustento da população.
Vencendo dificuldades os colonos e motoristas dão exemplos de determinação, competência, trabalho e esperança.

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