baleia
  • Por: Roberto Bordini
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Crônica das pessoas da cidade

Estamos na América Latina. Historicamente temos dois fenômenos sociais que parecem incrustrados na nossa forma de ser. Nós gostamos de música quente e governo populista. É uma espécie de sonho coletivo. A música nos faz sonhar que teremos a moça mais voluptuosa (ou o rapaz mais sarado) dependendo do ângulo pelo qual se queira sonhar, e que este ser assim apaixonado dos traduzirá a forma mais perfeita de todo o amor. Não é por outra coisa que temos com a música uma relação passional. Ela nos traduz a paixão e a forma ideal de vivenciarmos relações humanas improváveis e, ainda que possíveis, jamais consentâneas com o nosso sonho.
Assim também somos quanto a governos. Apenas para dar exemplos mais famosos, sem ser os mais efetivos, vejamos Juan Domingo Perón na Argentina e Getúlio Vargas no Brasil. Seus longos mandatos são uma prova de nossa queda por uma ideia salvadora. Até JK, se prensarmos bem, foi um populista. Um populista que fazia com que os pobres sonhassem com a vida fausta da zona sul do Rio de Janeiro. Uma ditadura, em qualquer parte do mundo, se impõe pela força que dizima a resistência e se estabelece para além da vontade popular. Na América Latina ela começa seduzindo. Enamora grande parte da população. Depois, como qualquer ditadora, a todos oprime. E, não nos enganemos não, não realiza porra nenhuma. Ops, quer dizer, só realiza o para os seus.


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