ANDRIELI
  • Por: Andrieli Battú da Silveira
  • Contato: andri.battu@hotmail.com
  • Formação / Profissão: Estudante

Crônica das Pessoas da Cidade

Nesta crônica em escolhi falar sobre uma situação bastante comum em nossas vidas. Tanto que nada do que falarei aqui é novidade, embora, em muitas oportunidades a gente escolha fugir desta reflexão, justamente para que o pensamento não nos indague e nos tire do conforto das nossas ideias.

Há exatamente um ano, minutos antes de receber a triste e angustiante notícia do falecimento do meu Amado Pai, eu estava a concluir a minha crônica. Ainda tive tempo de enviá-la a equipe do jornal, antes do meu mundo desabar. Naquela oportunidade, bem me lembro, que  escrevi sobre como tão delicada és a situação de discutir assuntos polêmicos em nossos grupos familiares. Me referia à política, futebol, religião, e demais temas que costumam gerar divergências de opiniões. Falava sobre isso, tendo em mente, a minha família.

Citei os felizes almoços de domingo, em que as pautas levantadas para discussão traziam assuntos que dificilmente conseguiam nos levar há uma única conclusão. O quê, no meu entendimento, é bem normal, justamente quando estamos falando de gente que pensa, gente que tem opinião, gente que produz, gente que deseja ser ouvido pela sociedade. Hoje, infelizmente, nossos domingos são cobertos de saudade, uma saudade doída, pois já não nos é mais permitido ouvir a opinião do meu Pai, ou então, escutar aquela gargalhada gostosa quando achava engraçado algumas histórias contadas, ver as suas bochechas tremerem quando não concordava com a opinião exposta ou a felicidade que demonstrava na dedicação em nos fazer compreender suas teses e suas posições. Agora, em que ele está do outro lado do caminho, permanecem conosco as doces memórias e os momentos felizes que compartilhamos. Ficamos a relembrar dos firmes conselhos que dele recebemos, compartilhando dos ricos valores que ele nos legou, vivendo com base nos caros princípios que ele nos conduziu a acreditar.

Contudo, caros leitores, continuamos nos reunindo nos domingos, embora doa, mas é isso que fazemos, porque juntos podemos dividir a dor da despedida e o peso de uma saudade que só aumenta. Até porque, importante lhes dizer, que o mundo continua a girar da mesma forma, embora cada ser humano seja insubstituível a sua ausência não nos permite frear o tempo. Logo, os problemas, as discussões, as divergências, também continuam presentes na estrutura da grande família. O que justifica-se pelo simples fato de ser constituída em sua base por seres únicos, dotados de qualidades, com uma história, com sentimentos e condutas diferentes entre si, e com alguns defeitos inerentes as suas condições.

Assim, infelizmente tenho que lhes dizer que dificilmente estaremos em estado pleno de paz e tranquilidade dentro de nossas grandes famílias, e aqui eu incluo os grupos de trabalho, sociais, de amigos ou estudos, porque afinal quando unidos somos sempre uma família. Nossas peculiaridades e próprias dificuldades não nos permitem conviver sem rusgas ou disparidades, mas devemos ser insistentes e nos deixar levar pela humildade em aceitar a opinião do outro, embora contrária a nossa. É essencial que nos tratemos com respeito, pois afinal, a todos nós chegará a hora da passagem, e neste momento, as nossas famílias irão se reunir, deixando de lado todas as diferenças para juntos fortalecer-se. Mas antes desta hora chegar, que tenhamos tempo para nos policiar, para que no final dos nossos dias possamos chegar a frente do espelho e nos reconhecer como pessoas de bem, que tentam fazer o melhor, por si e pelos outros, pois afinal é sábio aquele auxilia os demais em sua caminhada, porque é imagem do que fomos a nossa herança mais valiosa. Vale apena esculpi-la com dedicação e sabedoria.

Por fim, mesmo que passada a Páscoa, eu peço que o sentimento que com ela renasce permaneça conosco, para que saibamos dizer sim ao amor e a vida, investir na fraternidade e lutar  por um mundo mais solidário e humano. E assim como os girassóis, que sejamos sempre luz, ficando em pé a cada amanhecer.

 

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