Depoimento de Leandro Boldrini encerra o 3º dia de julgamento do Caso Bernardo

Um dos momentos mais esperados do julgamento do Caso Bernardo, que iniciou na segunda-feira, 11, foi o depoimento do réu Leandro Boldrini, pai do menino. Ele falou para Juíza, Ministério Público e defesa na tarde de hoje, 13 de março.

O depoimento teve início por volta das 15h, quando Boldrini ingressou na sala do jurí de braços cruzados. Logo após, deixou claro para a Juíza Sucilene Engles Werle que fazia questão de responder as perguntas da acusação. O réu é acusado de homicídio quadruplamente qualificado, que se caracteriza por motivo torpe, motivo fútil, emprego de veneno e dissimulação contra vítima menor de 14 anos descendente, ocultação de cadáver agravada por motivo torpe e falsidade ideológica agravada por motivo torpe.

Após a Juíza realizar a leitura da denúncia, ela iniciou as perguntas questionando como era o relacionamento de Leandro com Bernardo. O réu disse que a sua profissão requeria muita dedicação e que foi ‘um pai mais provedor do que um pai mais presente’.

Sobre o relacionamento de Graciele Ugulini e Bernardo, o réu disse que os atritos começaram por volta de 2013, com a chegada da filha do casal, Maria Valentina. ‘Como nasceu prematura foi criada uma bolha protetora’, conta.

Sobre o assassinato de Bernardo, o pai veemente negou participação. Segundo ele, tomou conhecimento de que Bernardo havia ido com Graciele para Frederico Westphalen na sexta à noite e de que o menino teria ido com a madrasta para ‘não atrapalhar o sono de Maria Valentina’. Boldrini conta ainda que  Graciele disse que Bernardo havia ido dormir na casa de Lucas, um amigo de escola.

ASSASSINATO

Na fatídica sexta-feira, 4 de abril de 2014, durante o almoço antes de Graciele levar Bernardo para Frederico Westphalen, Leandro conta ter percebido uma relação amorosa entre Graciele e Bernardo. ‘Pensei graças a Deus estão se acertar’, lembra.

Leandro narra que no domingo, 06, no final da tarde passou no Hospital de Caridade de Três Passos para  ver a recuperação dos pacientes operados.E após foi ao restaurante do pai de Lucas, que fica nas proximidades, para ver se Bernardo se encontrava no local. Após constatar que o menino não estava, foi até a casa de Lucas, onde foi informado de que Bernardo não teria estado lá naquele final de semana. ‘Então comecei uma maratona de ligações’, conta

Segundo ele, o desaparecimento foi registrado após estar cansado de procurar. A ocorrência está datada em 06 de abril de 2014, às 22h21. Para Leandro foram colocadas as três linhas de investigação. Uma semana após o registro, o réu conta ter recebido uma ligação da delegada Cristiane Brauchs, o convocando para ir até a Delegacia Regional. “Leandro, descartamos a linha de sequestros, por que ninguém pediu resgate, descartamos também a linha de sumiço por conta própria. Estamos trabalhando só com a linha de assassinato. Te prepara para o pior, que só estamos trabalhando com essa linha”, conta Boldrini sobre as palavras da Delegada na ocasião.

Após, a Juíza perguntou se com o provável homicídio, Leandro desconfiou de Graciele em algum momento. Réu disse que não.

Durante os questionamentos do Ministério Público, o réu foi orientado por seus advogados a não responder mais perguntas. As questões continuaram sendo feitas e consignadas, enquanto o Boldrini se manteve em silêncio. Então, um dos advogados de defesa, após seguimento das perguntas dirigidas a Leandro, que escolheu silenciar, consignou pedido de dissolução do Conselho de Sentença. Segundo ele, a consignação das perguntas durante a decisão do réu de permanecer em silêncio pode ser interpretado equivocadamente.

Para finalizar, Leandro respondeu as perguntas da defesa, falando sobre sua relação familiar com Bernardo e mais uma vez dizendo ser inocente do crime. “Quando tirarem essa algema de mim, a primeira coisa que vou fazer é ir a Santa Maria rezar e ajoelhar aonde está sepultado o meu filho”, diz o réu. “Não consegui iniciar nem terminar um luto.”

A sessão deve ser retomada às 9h desta quinta-feira, 14, com o depoimento da ré Graciele.

(Texto e fotos: Carina de Oliveira)

 


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