Depressão, alterações comportamentais

Este mês é mundialmente conhecido como “Setembro Amarelo”, período destinado ao combate ao suicídio. A Depressão é uma doença pouco conhecida, que muitas vezes pode acabar levando ao suicídio. Conversamos com a psicóloga Zainab Hamaoui para saber um pouco mais sobre este quadro. Confira.

O que é depressão?

Depressão é o nome atribuído a um conjunto de alterações comportamentais, emocionais e de pensamento. Não é um simples estado de tristeza, de “estar na fossa” ou de baixo astral. É um estado corporal indesejável e constante, acompanhado de mudanças comportamentais que independem da vontade daquele que os experiencia.

O que pode levar uma pessoa à depressão?

As causas da depressão estão na combinação de fatores filogenéticos, ambientais/históricos (acontecimentos ao longo da vida) e sócio-culturais. Os fatores históricos, também chamados de psicológicos, são de extrema relevância tanto no surgimento da depressão quanto na sua manutenção. Uma história de vida com muitas perdas afetivas, perdas financeiras ou incapacidade de alcançar os objetivos traçados pode criar um “terreno fértil” para a depressão. É importante ressaltar que um estilo de vida que não possibilite experiências agradáveis como conquistas, vitórias, pode não só desencadear como manter um quadro de depressão.

Quais são os seus sintomas?

Afastamento do convívio social, perda de interesse nas atividades profissionais, acadêmicas e lúdicas, perda do prazer nas relações interpessoais, sentimento de culpa ou autodepreciação, baixa auto-estima, desesperança, apetite e sono alterados, sensação de falta de energia e dificuldade de concentração, diminuição ou ausência da libido, entre outros. E algo extremamente preocupante é a alta correlação entre depressão e suicídio, onde o paciente pode estar sentindo todos os sintomas descritos acima e não consegue reconhecer ou desenvolver estratégias de manejo da depressão que está vivenciando, por isso a procura por ajuda é determinante quando objetiva-se mudança do quadro situacional.

Qual a importância de identificar quando uma pessoa está entrando neste estado?

Identificando sinais de desanimo, cansaço psicológico, cansaço físico, tristeza aparente, entre outro sintomas, pode-se evitar a evolução destes para um quadro crônico de depressão.

Existe mais de um tipo de depressão?

Ao contrário do que se pensa, a depressão é muito freqüente e, segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde, afeta mais de 121 milhões de pessoas em todo o mundo. A depressão pode ser classificada em três tipos: depressão maior, distimia e transtorno bipolar.

A depressão maior caracteriza-se pela combinação de alterações comportamentais, emocionais e de pensamento que incapacitam o indivíduo para realizar suas atividades profissionais, acadêmicas, de lazer, além de trazer alterações no apetite e sono. Já a distimia é considerada um tipo menos severo de depressão, em que não se observa a incapacitação, mas que estão presentes alterações indesejáveis no humor e demais alterações comportamentais de forma crônica. As pessoas constantemente mau-humoradas podem, na verdade, apresentar um quadro de distimia. O transtorno bipolar, conhecido em classificações anteriores como psicose maníaco-depressiva, tem uma prevalência menor que os anteriores e caracteriza-se por uma oscilação extrema do humor que vai da mania (episódios maníacos) à depressão (episódios depressivos).

Qual o tratamento?

As psicoterapias, mais especificamente a Terapia Comportamental têm se mostrado extremamente eficaz no tratamento de indivíduos com depressão. A terapia comportamental auxilia no aprendizado da realização de atividades que sejam reforçadoras, que tragam maior satisfação e devolvam o sentido às pessoas, coisas e atividades. Além disso, a terapia comportamental conscientiza a pessoa sobre ações dela que mantém o quadro de depressão. Isso possibilita mudanças nos pensamentos depressivos e sentimentos depressivos.

Uma pessoa com depressão precisa de tratamento adequado, que na maioria das vezes, é uma combinação de psicoterapia (terapia comportamental) e medicamentos antidepressivos. Por isso, faz-se necessário a busca de um profissional gabaritado para o tratamento, seja um psicólogo com especialização em terapia comportamental e/ou médico psiquiatra.

 Como ajudar uma pessoa nesse estado?

Família e amigos podem ajudar alguém com depressão, primeiramente, estimulando e provendo os meios necessários para a pessoa buscar profissionais capacitados a diagnosticar e tratar a depressão. Outra forma de ajuda, depois de iniciado o tratamento, é observar melhoras no estado de humor e na freqüência em que a pessoa se engaja novamente nas atividades de lazer, de estudo e profissionais e dar feedback, enaltecendo tais mudanças. Caso familiares ou amigos constatem que após um tempo considerável de tratamento, não há melhora observável, pode-se sugerir a busca por outros profissionais ou estratégias diferentes de tratamento. A depressão é resultado de fatores genéticos e ambientais/históricos. O humor deprimido, o desânimo, a apatia e a dificuldade para se engajar na mudança independem da vontade! Não acuse a pessoa de fingir o estado depressivo e nem tenha a expectativa de que ela vai sair repentinamente da depressão. Ser paciente, compreensivo e afetivo é a melhor forma de ajudar.

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