Especial Dia da Mulher: relacionamentos abusivos

Crescer, casar, ter filhos, constituir uma família feliz numa “casinha de sapê”.

A infância é a fase de maior aprendizados no que diz respeito a construção do nosso Self (EU), de nossas aspirações de vida e de todos os nossos valores pessoais. É na infância e a partir dela que podemos aprender regras e auto-regras acerca de cuidados, respeito aos nossos limites, nossa auto-estima e segurança emocional.

É também, nesta fase, que freqüentemente ouvíamos os lindos contos de príncipes e princesas sendo “felizes para sempre”.

A verdade é que somos pessoas comuns e estamos suscetíveis a viver uma experiência ruim.  No entanto, compreender essa premissa de vida não é o suficiente para nos afastarmos de possíveis envolvimentos em relacionamentos abusivos.

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Entendemos que nos relacionarmos com alguém subentende que teremos uma responsabilidade igual na manutenção do bom relacionamento. No entanto, nos relacionamentos abusivos observamos que isso não ocorre, pois um dos parceiros geralmente estará suprimindo a vontade do outro, minimizando a sua auto-estima e lhe culpabilizando pelas dificuldades e os “erros” na relação e o que envolta ela. Esse comportamento abusivo, psicológico parece não ter fim e muitas vezes pode vir seguido de agressão física (empurrões, tapas, espancamento).

Segundo Bender, 2006: “A violência contra a mulher pode ser na forma de agressões físicas e na forma de violência psicológica. Essa última consiste, normalmente, de ameaças, perseguição, privações e a colocação das mesmas em isolamento. Não é só o homem pobre ou de baixa escolaridade que pratica esse tipo de violência. Homens com um conhecimento muito claro das leis e com uma educação formal de nível médio ou superior também são agressores.”

Como identificar se estou em uma relação abusiva?

Ter muito medo da reação do parceiro por represália, ou que este poderá vir a ameaçar o fim do relacionamento, pelo SIMPLES comportamento de você expor suas vontades e opiniões acerca de algo que deseja modificar na relação ou o que não está de acordo, já indica uma forte inclinação de que pode estar vivendo uma relação abusiva. Se sentir culpada por todos os comportamentos manifestados mesmo que não há razão de culpa. Perceber não estar mais respeitando suas próprias vontades e limites (mudanças de roupas, desistência de sonhos, privação de lazer) achando que poderia ter feito sempre algo diferente em benefício e prol geralmente do outro, pois não deseja chateá-lo (a).

Estes são apenas alguns sinais de que você pode estar vivendo numa relação abusiva.

De forma geral, os homens comuns que praticam violência doméstica (física, moral, psicológica) nem sempre agridem a mulher em público e, também, não agridem seus vizinhos ou seus colegas de trabalho. As razões que levam os homens a agredirem suas mulheres estão freqüentemente relacionadas às seguintes situações: 1) quando eles querem manter o controle nos momentos em que elas tentam tomar decisões sozinhas ou desobedecem; 2) quando estão com ciúmes; 3) quando as mulheres ficam se queixando ou geram conflitos com ataques verbais. Uma grande parte das mulheres não apresenta queixa na delegacia quando são agredidas porque tem medo de possíveis ameaças e vinganças ou, ainda, da possibilidade disso desencadear a separação.

A possibilidade de separação é uma das ameaças que eles freqüentemente fazem para continuarem controlando a situação e muitas vezes para não serem denunciados.

Respeitar o parceiro na relação amorosa é muito importante, no entanto este respeito deve ser recíproco!

Não é de direito que o outro retire o seu direito de viver bem e feliz consigo mesma.

Por que é tão difícil nos desvincularmos deste tipo de relacionamento? O que leva uma pessoa a se manter dentro dele?

Pessoas emocionalmente carentes, inseguras emocionalmente possuem uma maior propensão a envolver-se afetivamente com algum agressor. Este envolvimento não é intencional, no entanto a pessoa pode estar em privação de afeto e qualquer manifestação de “cuidado” e “proteção” podem manter as mesmas neste padrão de relacionamento. Como costumo dizer: “A carência afetiva no faz como peixe no oceano, ou seja, presas fáceis de um tubarão.”

As falsas promessas de mudanças, somadas a insegurança emocional da vítima e o sentimento de que esta pode ter “exagerado” na interpretação do que viveu, é o que geralmente mantém a pessoa dentro do relacionamento abusivo.

Como ajudar alguém a sair de um relacionamento abusivo?

Bastante desafiador, pois a “vítima” geralmente está bastante descrente de si mesma e de seu potencial de viver sua vida independentemente e com a possibilidade de reconstrução. A vítima apresenta dificuldades de perceber que está num relacionamento abusivo e teme, através da separação, perder muito mais do que já está perdendo, o que é uma visão distorcida dos fatos.

Necessário e urgente é o apoio familiar e de um profissional Psicólogo Comportamental para conduzir a percepção da vítima sobre seus comportamentos manifestados, podendo promover o acolhimento e segurança emocional, direcionando para possibilidade real de encorajamento para tomada de decisão e o aprendizado de novos repertórios comportamentais em direção a uma vida segura e valiosa.

Como redescobrir meus gostos, vontades e recriar minha personalidade após sair de uma relação abusiva?

Inicialmente um bom profissional da área da Psicologia, seguido de paciência, tempo e permissividade para se autoconhecer e poder voltar a respeitar seus limites.

 Esse apoio conjunto podem lhe conduzir ao fortalecimento de sua autoestima e segurança emocional, ter mais contato com sua autoimagem na possibilidade de acolher este momento sem julgar as escolhas passadas.

A felicidade é possível sim e, viver num relacionamento saudável consigo mesmo pode nos conduzir futuramente, a escolhas amorosas maduras e seguras.


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