Faça um filho comigo!

4e14ff03-b807-485e-b64e-a8d65bbddf0aNo último domingo, 23, o programa ‘Fantástico’, da Rede Globo, exibiu uma reportagem sobre um tema um tanto quando novidade. A reportagem trouxe a ideia de ‘coparentalidade’, que visa a concepção e criação de um filho sem um relacionamento conjugal entre os pais, que seriam parceiros na educação da criança.

A estimuladora deste conceito no Brasil foi a jornalista três-passense Taline Schneider. A ideia surgiu por meio da sua vontade de ser mãe, mas sem estar em um relacionamento conjugal. Conversamos com Taline a respeito do tema, confira a entrevista.

Como surgiu a ideia de coparentalidade?

A ideia surgiu da vontade própria. Primeiro foi criada uma fanpage para discutir o assunto entre interessados nessa proposta. Depois fizemos um grupo fechado no face e no whats, que mais parecia um “classificados”. As pessoas se apresentavam, dizendo um pouco de si e que buscavam. Em pouco mais de três anos, já nasceram seis bebês, temos três grávidas e cinco outras duplas em tentativas.

O que esse conceito significa?

O termo coparentalidade já era usado juridicamente para casais divorciados. Pois o vínculo conjugal foi dissolvido, mas o vínculo parental não. São dois adultos pais de filhos em comum para o resto da vida. Ou seja, desde a constituição de 1988, filho é filho, independentemente da relação existente entre os pais. Ou seja, trata-se de uma família parental, ligada por vínculos afetivos e fraternais. O que não falta na família fraternal é amor, respeito e amizade.

coparentalidaePor que criar o grupo? Quantos membros?

Ocorre uma ‘seleção’ para aprovação das pessoas no grupo. O que é levando em consideração?

Sim. Primeiramente avaliamos a intenção da pessoa, se ela realmente está de acordo com a proposta: que é ter um filho sem relacionamento romântico e sexual. Apenas por amizade.

Como se dá a concepção da criança?

A concepção é uma escolha individual de cada dupla (ou trio) de PAIS AMIGOS, pode ser da forma tradicional (sexual), inseminação caseira (com auxílio de uma seringa) ou artificial (mas no caso da artificial, ela ainda não é um procedimento regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina, mas vamos lutar para que muito em breve seja).

As concepções alternativas (inseminação) são opções, normalmente, de homossexuais, assexuais e, até mesmo, casais heterossexuais casados.

Quantas pessoas tiveram filhos resultado deste grupo?

Já são seis bebes, três gravidez e cinco duplas tentantes. Esses são os que ficamos sabendo. Pode ter muita gente que não nos conta.

Existe um contrato de responsabilidade?

Orientamos que se faça um contrato e se registre em cartório, com cláusulas que indiquem as intenções e os acordos feitos verbalmente entre os pais. Melhor que se faça antes da gravidez e já se inclua cláusulas de comprometimento durante este período. Esse documento não terá validade jurídica, apenas testemunhal, no caso de uma disputa litigiosa pela guarda da criança. Centenas de filhos coparentais existem pelo Brasil a fora. Nenhum caso ainda foi parar na Justiça. Acho que isso pode ser uma prova que a Coparentalidade dá muito certo. Amigos vão compartilhar um filho, não farão dele uma disputa, como casais casados e divorciados.

Após o nascimento, de que forma a guarda é compartilhada?

Bem, o interessante é se fazer a guarda compartilhada. Não há como ser diferente quando se pensa em fazer um filho com um amigo. E a forma como vão “dividir” o filho, é uma escolha bem pessoal. Mas ela deve ser feita antes da gravidez. Digo, a forma como se quer criar o filho, deve ser um dos pré-requisitos para se fechar a parceria. Pais Amigos, não precisam “dividir” o filho, podem apenas compartilhar e viver todos os momentos juntos. Tem gente que vai se mudar para perto da mãe e do pai para que a criança tenha contato diário com os dois genitores. Mas tem gente que não se importa do pai ver aos finais de semana ou uma vez por mês ou só nas férias. Há muitas mulheres no grupo que vem da mentalidade da produção independente, então elas não querem um pai tão presente. Já outras, querem pais presentes diariamente. E, acreditem, tem homens no grupo para todas essas escolhas, que atendem essas demandas. A função do grupo – E A GORA DO SITE – é unir essas pessoas com desejos e afinidades em comum.

Qual o seu sentimento ao ver esses ‘casais’ que aderiram a ideia da coparentalidade e já tem seus bebês?

Eu choro ao ver a foto dos bebês. Eu penso que eu fui responsável por aquela vida existir, de alguma forma. Porque se aquele pai não tivesse conhecido aquela mãe, aquele ser humano ali, não existiria. Esses pais não teriam se conhecido. A sensação de poder fazer algo para poder realizar sonhos é inacreditável.

É uma relação e uma família cheia de amor, bem ao contrário do que muitos pensam. E muita gente acha que isso não é família. Mas é claro que é. É uma família parental, ligada por vínculos afetivos e fraternais de filiação. Família é onde há amor, respeito e diálogo.

Nossa plataforma não é para produção independente, doação de esperma e barriga de aluguel. Ela é para pessoas adultas que desejam um filho e compartilhar essa jornada com alguém com afinidades e os mesmos objetivos.

Agora, além do grupo no Facebook, o projeto também conta com um site. Acessando paisamigos.com você confere mais informações e esclarece suas dúvidas sobre o tema.

printsite

 

Coparentalidade = Parentalidade vem de parental (pai e mãe) e o co vem de cooperação mútua, colaboração.O que é referente à mãe é MATERNAL. O que é referente ao pai é PATERNAL.O que é referente a mãe e pai é PARENTAL, então uma família não ligada por vínculos conjugais (família conjugal) é uma família PARENTAL, ligada apenas por vínculos parentais (laços de mãe e pai com filho). Casais divorciados também são uma família parental, para o resto da vida. As pessoas tem mania de achar que quando se rompe um vínculo conjugal, acaba a família. Mas não. Por isso, coparentalidade é família sim. Na verdade, FAMÍLIA é onde há amor, respeito e diálogo entre os membros/integrantes.


Um comentário em “Faça um filho comigo!

  • 17 de setembro de 2017 at 14:44
    Permalink

    Sobre esse assunto de faça um filho comigo e ([B]Nossa plataforma não é para produção independente, doação de esperma e barriga de aluguel.) Muito relativo, pois ainda tem pessoas que tenham a cara de pau de tentar comprar uma criança mesmo qndo vc topa fazer um filho com ela por parceria… é muito revoltante!!!

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