Futuro da produção e comercialização são debatidos no Fórum Nacional da Soja

Especialistas apresentaram cenários e tendências para o grão durante evento na Expodireto Cotrijal

Produção e comercialização foram os dois eixos temáticos debatidos no 30º Fórum Nacional da Soja. O seminário ocorreu nessa terça-feira, 12 de março, na programação da 20ª Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque (RS). O evento, que comemorou 30 edições e era realizado antes da Expodireto Cotrijal de forma itinerante, é uma promoção da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS) e Cotrijal e apoio da CCGL. O fórum contou com a presença de lideranças rurais e presidentes de cooperativas agropecuárias.
O engenheiro-agrônomo Elmar Luiz Floss, que apresentou painel relativo à produção, destacou a importância da soja. Para o especialista, é a cultura que mais cresce no mundo, apresenta maior produção e área no Rio Grande do Sul, tem a maior fonte de proteína vegetal e é a mais eficiente fixadora biológica de nitrogênio. Além disso, afirma o agrônomo, “o mundo quer soja, uma vez que os asiáticos têm esse hábito no consumo.
Floss destaca que a soja representa 52,9% de todos os grãos no Rio Grande do Sul. “Se nós não tivéssemos soja, não poderíamos ser exportadores de soja e frango. O alimento mais caro e mais difícil é a proteína. E temos ela em abundância, graças a soja. A nossa região tem a melhor soja do Brasil ”, afirma.
O especialista lembra que a soja se desenvolveu com revoluções tecnológicas como a calagem e o plantio direto. “A erosão era o nosso problema número um”, diz. Floss destaca, ainda, que o solo é o maior patrimônio do agricultor. “Não adianta investir em máquina, benfeitoria. Temos que investir na melhoria do solo”, defende.
O agrônomo criticou o tempo que o Brasil perdeu em discussões relativas à liberação dos transgênicos. Floss questiona: “Se nós não tivéssemos a soja transgênica, que cultivar estaríamos plantando, qual a produtividade?” Para ele, a transgenia foi a maior revolução tecnológica da agricultura mundial em todos os tempos. O agrônomo destaca que em 1996 foram plantados 1,7 milhão de hectares de grãos transgênicos no Brasil. No ano passado, o volume foi de 189,4 milhões de hectares. O pesquisador ainda lembrou da importância da agricultura de precisão, a necessidade de uma tecnologia mais intensiva na pequena propriedade e como lidar com o endividamento.
Um cenário de incertezas e desafiador no mercado. Essa foi a avaliação apontada pelo consultor da Agroconsult André Pessoa, que apresentou painel relativo à comercialização. “Risco faz parte da atividade agrícola, agora incerteza é mais complicado, porque em geral quando você tem incertezas muito grandes, a trajetória que o cenário pode seguir são muito antagônicas”, afirma.
De acordo com o consultor, a guerra comercial entre Estados Unidos e China, ao coibir a soja norte-americana, no ano passado, favoreceu o Brasil, em um período em que a Argentina estava com pouco produto. “As exportações brasileiras foram extraordinárias e não gerou estoque. Nesse ano, é diferente, uma vez que a exportação não pode ser repetida. O momento é de trégua, desde a última reunião do G-20, em dezembro”, diz. Para Pessoa, a safra brasileira desse ano deve ser similar à do ano passado. No Rio Grande do Sul, o volume deve ser de R$ 5,7 milhões de toneladas.
Na abertura do Fórum Nacional da Soja, o presidente da FecoAgro/RS Paulo Pires lembrou a relevância do Fórum Nacional da Soja e como o seu formato foi importante para o surgimento de outros eventos com o mesmo mote dentro da Expodireto Cotrijal. “Tivemos o Fórum do Milho, depois o Fórum do Trigo e também o Fórum do Leite. Isto mostra a concepção correta de uma forma de trabalhar”, observa.
Rui Polidoro Pinto e Odacir Klein, ex-presidentes da FecoAgro/RS e Fecotrigo, foram homenageados durante o evento como dirigentes responsáveis pela criação do fórum, que se iniciou em 1990.
(Foto: AgroEffective/Divulgação)
(Texto: Marcelo Machado/AgroEffective)

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