Greve dos professores paralisa aulas em Três Passos

Movimento iniciado por alunos fecha educandários e tem adesão parcial de educadores

Professores e alunos encontraram portões fechados no Instituto Érico Veríssimo
Professores e alunos encontraram portões fechados no Instituto Érico Veríssimo

A greve do magistério público estadual do Rio Grande do Sul, deflagrada a partir de ações de alunos de escolas da Região Metropolitana de Porto Alegre segue se disseminando pelo interior do Estado. Nesta segunda-feira, 23, escolas de Três Passos amanheceram fechadas pelo movimento grevista.

Quem foi à aula na manhã desta segunda no Instituo Estadual de Educação Érico Veríssimo encontrou os portões fechados. Motivados pelo movimento do Grêmio Estudantil do educandário e depois de encontros da semana passada, professores e funcionários não foram ao trabalho. Mesmo que alguns servidores não tenham aderido, às aulas no Érico Veríssimo foram suspensas e o movimento de greve, liderado pelo 21º Núcleo do Cpers Sindicato (com sede em Três Passos), promoveu ações durante o dia todo em frente à entrada principal da Escola.

Para o presidente do Grêmio Estudantil Érico Veríssimo, João Marcelo Araújo Moraes, a pauta de reivindicações dos professores também é pertinente ao bom andamento do ensino. “Os professores sempre iam à luta sozinhos e a partir disso nós decidimos ir à luta também, pois, automaticamente, estaremos apoiando a nós alunos, pois um professor mal remunerado e com más condições para trabalhar não estará motivado para trazer ensino de qualidade para seus alunos”, enfatizou Moraes.

Um dos itens da pauta de reivindicações do Cpers é o Piso Salarial da categoria, o que também está em debate entre os alunos do Instituto Érico Veríssimo. “Os professores do Estado não estão recebendo o piso e já existem manifestação do Governo para que reajustes não aconteçam no ano que vem e se o professor não tem a remuneração que merece também não poderá dar garantia ao nosso direito de aprender”, reivindicou o aluno Vinicius Borscheid, do 2º ano do ensino médio.

Mas também há preocupação, entre os alunos, com a qualidade do que está sendo oferecido. “Não podemos pensar em novos investimentos, em novidades para as nossas aulas, se o governo não tem nem garantido o básico. Queremos que ao menos o básico seja garantido, como a manutenção das escolas e a qualidade na sala de aula. Não queremos mais salas que chove pra dentro ou que tenham infiltrações como acontece aqui no Érico Veríssimo”, protestou André Augusto Colombo, também aluno do 2º ano.

Conforme o vice-diretor do Núcleo do Cpers, professor José Lisandro dos Santos, a adesão a greve no Estado é de cerca de 60%, no entanto, aqui na regional o levantamento ainda segue sendo feito. “Temos informações de escolas aqui de Três Passos e também de Crissiumal, Esperança do Sul e Tiradentes do Sul e ainda teremos encontros em escolas de Tenente Portela. Não temos adesões totais, mas temos paralisações registradas em diversas escolas”, detalhou Lisandro Santos.

Já as informações da 21ª Coordenadoria Regional de Educação dão conta de que há paralisações individuais de professores em pelo menos quatro escolas de Três Passos, sendo que em duas as aulas estão suspensas (Instituto Érico Veríssimo e Escola Estadual de Ensino Médio Águia de Haia).

O movimento grevista tem audiência e reuniões previstas em escolas e municípios da Região nesta segunda-feira para definições sobre a sequência do movimento.

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