Histórias de amor que resistem ao tempo

O Dia dos Namorados se aproxima e nada melhor do que viver um amor e ter alguém para chamar de companheiro. A data é comemorada no dia 12 de junho, véspera do Dia de Santo Antônio (13 de junho), conhecido também como o “santo casamenteiro” e celebra a união entre casais e namorados.

O Jornal Atualidades foi atrás de duas histórias de amor que ultrapassam os 50 e 70 anos de união e que firmaram-se ao longo do tempo com o amor e o companheirismo que toda relação necessita ter, segundo eles mesmo afirmam.

Haidee e Silvino, Arlindo e Teresa, casais que respiram cumplicidade e amizade compartilham um pouco de suas histórias, aconselham e contam curiosidades e fatos que marcaram a relação. Confira:

O amor entre Haidee Bohn de 70 e Silvino Bihain, 75, faz história há 53 anos. Se conheceram em Crissiumal em bailes, tiveram 3 filhos e há 13 anos residem no Bairro Santa Inês em Três Passos.

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“Um conhecido tinha um salão de baile e o meu pai era ‘caxias’ , não deixava eu ir nos bailes, pois tinha que ir na igreja no domingo de manhã. Em um baile desses, lá perto de casa, ele (Silvino) veio e a gente se conheceu. Nós tínhamos 16 anos e ele 21, um ano depois nós nos casamos e fomos morar em Nova Candelária.”

Haidee Bohn, doméstica

Momento que marcou o casal:

Um dia antes do nosso casamento, nevou, em 1965. Casamos sem as roupas de noivos, a festa foi realizada em outra data. Casamos em agosto e só em novembro fizemos a fotografia de casamento, eu já estava grávida do Paulo. Havia apenas um fotografo em Crissiumal, e ele tinha gastado todos os filmes dele tirando foto da neve e por isso não deu pra fazer as nossas.

Desafios da relação

Teve de tudo, dificuldade financeira, problemas de doença, mas tudo foi superado.

O que faz a relação ser duradoura?

O que tem de ter em uma relação para ela ser duradoura, é o amor e perdão, um gostar do outro, um cuidar do outro.

Passatempo do casal:

Haide: Eu gosto de jogar minha “canastrinha”, outro dia jogo ‘bispo’ (tipo de um bingo).

Silvino: Meu esporte é o baralho. Nós também íamos muito aos bailes dos idosos, mas a companheira não pode mais dançar. Os bailes tinham mais respeito no nosso tempo.

Viagem marcante:

Nós sempre viajamos juntos, a nossa viagem maior foi para Vitória, ES. Nos primeiros anos fomos de ônibus e depois aprendemos a viajar com avião. Hoje a gente vai todos os anos lá pra cima de avião. Íamos visitar nosso filho, passear.

O que é o amor?

O amor significa perdoar e viver junto, um ser bom com o outro e quando temos um momento meio agitado, um olha para o outro e segue o amor.

Dia dos Namorados

Nós não somos de comemorar. Festejamos, além dos 50 anos de casados, os 25 e os 35 anos. Naquela época nem falavam nisso, as datas não eram celebradas, hoje em dia comemoramos o dia dos pais e das mães pelo fato de nossos filhos ir à aula. Não era assim, era tudo diferente. Muita coisa era melhor no passado, mas muita coisa é melhor hoje em dia. Mudou demais as coisas, o pessoal não é mais como hoje.

Conselho para os mais jovens:

O conselho que deixamos para os mais novos é sempre amar e perdoar, é o que mais a gente aprendeu durante a vida. Porque, eu acho, o casal que completo 50 anos, ele tem de comemorar para mostrar para os filhos e netos.

“Silvino não queria comemorar, festejar os 50 anos de casados, mas os filhos não aceitaram, quem mais nos incentivou foi o César.”

 O que faz a relação ser duradoura?

O que tem de ter em uma relação para ela ser duradoura, é o amor e perdão, um gostar do outro, um cuidar do outro.


O casal Maria Teresa, 98 anos e Arlindo Lucas de 93, são casados há 77 anos e tem 7 filhos, 2 homens e 5 mulheres. Moraram em Derrubadas durante 65 anos e residem em Três Passos há 12.

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“ O essencial é trabalhar em conjunto para fazer a vida, ter amor, fidelidade e compreensão.”

Principal ingrediente para relação duradoura:

É amor, casamento de 77 anos deve ter amor e muita compreensão, muito sacrifício também, sempre a fé em Deus para melhorar. Graças a Deus todos estão bem de saúde, todos longe, apenas um filho está com nós. Trabalhando sempre na roça, vendendo para viver e dar uma vida melhor para os filhos, melhor que a nossa.

Conselho para os mais jovens:

O conselho que tenho para dar, primeiro o amor de verdade, que esteja disposto aconteça o que acontecer, relevar um ao outro, porque brigas sempre vão ter, é bobagem dizer que não houve nada. Muitas vezes nós tivemos desavenças, um achava que era direito assim para um filho, outro não, “não, tem que ser assim”, sempre fomos con­trolando, por isso que chegamos até aqui. O amor é a base de tudo. Tem que ter diálogo também e um fala falar “isso pode acontecer assim ou assado”.

O que representa o Dia dos Na­morados:

No dia dos Namorados nós nos lembramos da­quele tempo bom, ele morava longe, a gente es­perava o outro, nos encontrávamos a cavalo, era tempo da 2ªGuerra Mundial, não existia gasolina, era apenas o cavalo como meio de transporte.

O que é o amor?

O amor é a gente ter um pelo outro, pensar nos filhos, quando os tem. Ter principalmen­te amor, para relevar muita coisa. O essencial é trabalho, compreensão, o amor em primeiro lugar e lutar pelo bem, que aí a coisa vai. Exis­tem os tropeços, alguma diferença as vezes de discutir algo, mas sempre pensando no melhor e no amor, nos filhos. Onde não tem amor, onde não tem compreensão, não tem vontade, a coisa não vai.

Desafios da relação longa como a do casal:

Tivemos algumas dificuldades, briguinhas às vezes sempre um e outro tem, mas se não tivesse a gente não poderia ficar juntos. Não pode ser tudo perfeito. Mas tudo com amor, tendo amor com os filhos. O casal quando não pensa, as vezes estão tristes, se dividem e isso não é bom.

Namoravamos de longe, porque só no final de semana ele, Arlindo, vinha, foi um ano e pouco assim e aí então deu casamento, como diz. Foi sem festa, sem nada, porque estávamos sem recursos.


3 comentários em “Histórias de amor que resistem ao tempo

  • 3 de junho de 2018 at 21:50
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    Seo Arlindo e Dona Maria Tereza são exemplo de cumplicidade.
    Que Deus os abençoe sempre.

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  • 3 de junho de 2018 at 22:28
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    A história do Vovô Arlindo e Vovó Maria Tereza foi marcada por muito sofrimento, amor, dedicação e trabalho. Acredito que essas vivências fazem deles tão fortes. Difícil imaginar como era o dia-a-dia desse casal nas condições que começaram a vida à dois. Grande exemplo!!!

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  • 3 de junho de 2018 at 22:42
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    Olá! Sou neta do seu Arlindo e dona Tereza, moro em Marau-RS. Quero deixar meu agradecimento, adorei a reportagem do jornal, meus avós são exemplos de vida, cumplicidade, lealdade e companheirismo. Parabéns pela bela reportagem, desejo todo sucesso do mundo ao Jornal.

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