Indisciplina é o tema de capacitação de professores em Santa Rosa

Os professores e funcionários da Escola Estadual Alfredo Nedel participaram de capacitação sobre indisciplina promovida pelo Departamento de Extensão da SETREM. A atividade foi desenvolvida pela pedagoga Franciele Acker no dia 23. Entre os assuntos abordados estão a diferença entre autoridade e autoritarismo, a importância de compreender a necessidade que o jovem tem de se expressar, as vantagens de construir pactos com a turma e como transformar a indisciplina em aliada.

Pesquisa realizada no ano passado pelo Observatório do Universo Escolar, em parceria com o Ministério da Educação, constatou que a indisciplina é uma das causas mais apontadas pelos professores para o fracasso do planejamento inicial. O resultado desse estudo motivou o grupo da escola a trocar experiências de suas rotinas de trabalho, fazendo com se dividissem em grupos de estudos e a partir daí começaram a planejar novas ferramentas de diagnósticos que além de ajudar na avaliação, servirá de subsídios para conhecer a identidade dos alunos.

Entre os questionamentos e abordagens surgiu a dúvida de como lidar com os grupinhos que não param de conversar e não participam das atividades, e com os que, semana após semana, deixam de fazer a lição. “Esses são os temas que mais chamam a atenção do professor. Sem falar também nos problemas mais graves, como a falta de respeito dentro da classe, os xingamentos e, o pior, as agressões verbais e físicas”, revela a pedagoga. Outros pontos apontados estavam relacionados à outros fatores, como quando a família não impõe limites e sobre o fato de que é a televisão que educa as crianças. Conforme Franciele, não há dúvidas de que boa parte do problema passa mesmo pela família, ausente e desestruturada, pelos programas de TV, cada vez mais violentos, e pelo próprio jovem, cujo caráter ainda está em formação. Mas, segundo ela, saber disso não resolve o problema.

Franciele ensina que a indisciplina pode ser canalizada para o aprendizado de forma criativa. Esse potencial pode ser utilizado perfeitamente para construção de saberes, mudança de paradigmas e transformação social. Ainda de acordo com ela, não se pode sufocar o discente que, ao descobrir o mundo, faz como o cientista que grita feito um louco quando descobre um invento, uma nova teoria ou lei: eureca! Para a pedagoga, as descobertas diárias e contínuas do educando precisam ser contadas, expostas, compartilhadas. “Ele está aprendendo e também quer ensinar. A indisciplina não é, portanto, um empecilho ao aprendizado; é um anúncio, um sinal de uma aprendizagem que não se limita ao contexto de sala de aula, que é dinâmica, imanente ao educando e transcende a formatação institucional”, conclui.

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