Para Perondi, Janot deve mandar prender os irmãos Batista e depois pedir demissão

A reviravolta proporcionada pelo Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, ao decidir investigar os delatores da J&F e levantar a possibilidade de anulação do acordo de delação que livrou os irmãos Joesley e Wesley Batista da prisão, fortaleceu o presidente Michel Temer e deu novo fôlego para barrar uma eventual segunda denúncia contra ele na Câmara. O deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), vice-líder do Governo, partiu para o ataque e declarou que Janot já tem provas suficientes para anular a delação e mandar prender os irmãos Batista. “O Rodrigo Janot deve mandar prender, ainda hoje, os dois meliantes confessos e, em seguida, pedir demissão”, afirmou Perondi.

Mal chegou da Missão Oficial à China, onde acompanhou Michel Temer na 9ª Cúpula do BRICS, Perondi protocolou na Justiça Federal, em Brasília, Petição solicitando que a Procuradoria-Geral da República forneça todos os registros de acesso e vídeos, com datas e horários, do ex-procurador Marcelo Miller na sede do órgão, após sua exoneração do cargo, no dia cinco de março de 2017. Perondi solicitou, ainda, a quebra dos sigilos telefônico, bancário e fiscal de Marcelo Miller, para “compreender a relação financeira dele com os donos da J&F”. A Petição integra uma Ação Popular que o próprio Perondi ingressou na Justiça Federal, em julho último, exatamente sobre a atuação irregular de Miller nas colaborações premiadas dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

“Esse ex-procurador foi o orientador de Rodrigo Janot na negociação da delação super premiada que os irmãos bandidos obtiveram. Marcelo Miller era um espião dos Batista dentro da Procuradoria. Que bom que impedimos, na Câmara dos Deputados, a denúncia açodada e inepta que Janot fez contra o presidente Michel Temer. O País estaria um caos se ela tivesse sido aceita. O Janot agora faz sua mea-culpa, mas o estrago no País já foi feito e ele não tem outra alternativa que não seja a de pedir demissão”.

O vice-líder do Governo acredita que a base de apoio do Presidente Temer ganhou argumentos fortes para barrar uma possível nova denúncia e avançar nas reformas da previdência e tributária, que estavam travadas por conta da primeira denúncia, rejeitada pela Casa, e que intensificou a crise política no País.

Luiz Fux também quer prisão – Numa linha semelhante à do deputado Darcísio Perondi, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, defendeu, nessa quarta-feira,  a prisão do empresário Joesley Batista e do diretor de Relações Institucionais da empresa, Ricardo Saud. “Acho que eles ludibriaram a Procuradoria, degradaram a imagem do Brasil no plano internacional, atentaram contra a dignidade da Justiça, mostraram a arrogância dos criminosos de colarinho branco. Então, eu acho que a primeira providência que tem de ser tomada é prender eles”, declarou Fux. A Polícia Federal, a pedido de Rodrigo Janot, está investigando se informações importantes foram omitidas para que o acordo da delação fosse firmado. Dependendo do que for apurado, os benefícios concedidos pelo Ministério Público aos executivos da J&F poderão ser anulados, entre os quais a imunidade penal, que impede qualquer processo criminal contra eles.

Fonte Assessoria de Imprensa / Fábio Paiva

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