Projeto leva desenvolvimento e melhoria na cadeia produtiva do leite

Mapa Leite, que teve a duração de dois anos, encerrou no mês de junho. Da Unitec, 24 associados estiveram atuando no projeto

Auxiliar no desenvolvimento da cadeia produtiva do leite e na melhoria da qualidade do produto. Estes foram os principais objetivos do Projeto Mapa Leite, que ofereceu Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) a produtores de leite.

O Mapa Leite é fruto de uma parceria entre o Ministério da Agricultura e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Por meio do convênio, 3.145 produtores de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul receberam assistência técnica e gerencial, capacitação para produção, transporte e beneficiamento de leite seguro e de qualidade. Depois de quase dois anos, conforme previsto, o projeto foi finalizado.

Unitec contou com 24 associados atuando no programa

O Programa Mapa Leite contou com a atuação de 24 profissionais associados na Unitec, sendo 23 técnicos de campo e um coordenador. De julho de 2017 a junho deste ano, o programa ofereceu metodologia específica para as propriedades cadastradas, por meio de profissionais com formação em ciências agrárias de nível técnico e superior em Agronomia, Medicina Veterinária ou Zootecnia, capacitados e habilitados pela instituição. No Rio Grande do Sul, 1.057 propriedades foram atendidas.

“Assistência técnica e gerencial vai ser tornar uma ferramenta de trabalho cada vez mais importante nas propriedades”

A afirmação é da engenheira agrônoma Patrícia Simon, associada da Unitec, que atuou como técnica de campo no Mapa Leite. Ela relatou que os dois anos de trabalho do projeto nas propriedades assistidas foram muito positivos aos produtores participantes, principalmente pela implementação do controle gerencial em muitas delas e por fazerem o produtor perceber como é importante o gerenciamento de custos e a atuação técnica. “Fazer o produtor criar o hábito de receber o técnico e pedir informações e sanar suas dúvidas é fundamental na atividade. Finalizamos este projeto com resultados muito positivos, com produtores apresentando muitos resultados bons do nosso trabalho”, celebra.

A engenheira agrônoma ressalta que ainda há muito a se fazer nas propriedades leiteiras pela evolução constante nas normativas de controle do leite. “Acredito que este projeto piloto em que participamos apresentará resultados futuros e deveria ser intensificado em cada propriedade, pois julgo importante a continuação dele. A assistência técnica e gerencial vai ser tornar uma ferramenta de trabalho cada vez mais importante nas propriedades, pelo fato de que atende demandas individuais. Orientamos os produtores dentro da porteira de cada um deles.”

Patrícia atendeu 30 propriedades nos municípios de Boa Vista do Buricá, Três de Maio, Horizontina, Santa Rosa, Humaitá e Crissiumal, todas com sistema de produção semiextensivo, ou seja, produção de pastagem e suplementação com ração e silagem, tendo algumas com sucessão rural e outras com limitação de mão de obra ou de área. Nas visitas mensais, ela executava o controle gerencial (receitas e despesas) do mês anterior, além do controle de reprodução e de controle de qualidade do leite, com orientação técnicas conforma a demanda da propriedade.

“Projeto teve desenvolvimento muito forte na qualidade do leite”

A engenheira agrônoma Francine Busanello, associada da Unitec, também foi uma das técnicas de campo. Na avaliação dela, “o programa teve um desenvolvimento muito forte na qualidade do leite, atingindo todas as propriedades de uma forma geral, melhorando os índices. Das 30 propriedades atendidas, em torno de 80% estão dentro das instruções normativas 76 e 77 vigentes no momento”, comemora.

Francine explica que o programa teve por objetivo nortear as propriedades que estavam com dificuldades econômicas e zootécnicas, a fim de melhorar fatores que influenciavam negativamente em seu desenvolvimento, podendo demonstrar ao produtor novas formas de resgatar e melhorar a produção de leite, deixando-o a par das normativas vigentes perante a qualidade do leite (76 e 77), proporcionando aprendizagem e troca de experiência entre eles.

Cada técnico realizou 30 atendimentos por mês, ou seja, cada propriedade recebeu uma visita mensal. Francine conta que, primeiramente, quando chagava nas propriedades, fazia um levantamento de dados, chamado de resgate, que consistia em resgatar dados do ano anterior para seguir de referência para a construção do manejo utilizado pelo produtor. “Com estes dados em mãos, foi possível já no primeiro período projetar algumas mudanças em produção e principalmente nos custos de produção. No início do programa, os produtores passavam por extrema dificuldade financeira, adentrada a preços muito baixos do leite, chegando a menos de R$ 0,70 por litro, o que foi um grande desafio para pequenas propriedades aceitarem a assistência técnica”, relembra.

O grande gatilho para a conquista da confiança do produtor com o técnico, de acordo com a engenheira agrônoma, foi a mudança radical já nos primeiros meses perante a qualidade nos fatores de CCS e CBT do leite, demonstrando métodos simples e eficazes que não eram executados pelos produtores por falta de prática, resistência a mudanças exigidas, falta de assistência, desafiando o cumprimento da mesma pela baixa remuneração pelo litro pago em 2017.

“Ao longo dos meses, com os trabalhos mensais, os dados zootécnicos melhoraram consideravelmente, proporcionando um norteamento da reprodução das fêmeas produtoras de leite. No início do projeto, 90% das propriedades assistidas usavam touros próprios para a reprodução e a longo dos 24 meses este dado caiu para 23,30%, com uso de inseminações para melhoria da genética nos rebanhos de leite. Além disso, produtores conseguiram ver os primeiros resultados em aumento da produção de leite nos meses após o período das implantações de perenes e aumento das áreas destinadas à produção de volumoso silagem, orientado para a destinação dos animais anualmente como fonte de carboidrato de alta qualidade, potencializando a produção de leite com as pastagens de inverno e verão. Cerca de 60% das propriedades atendidas aumentaram a produção em volume de leite, diminuindo os gastos com concentrado”, afirma.

A adubação das pastagens anuais e perenes, bem como as áreas de produção de silagem, foram grandes precursores para a melhoria dos números nas propriedades, segundo a profissional, o que fez aumentar o volume de leite produzido, pagando os custos de produção, remunerando a mão de obra utilizada e capital investido em benfeitorias, máquinas e equipamentos. Mesmo o produtor tendo uma margem líquida unitária um pouco menor, compensou pelo acréscimo no volume, expressado ainda mais pelo segundo período de atendimento de 2018/2019.

Para ela, com os preços indicando melhora no mercado de leite, produtores voltaram a investir em compra de animais, aumento da criação de terneiras e novilhas, compra de sementes de melhor qualidade para pastagens e milho, remuneração maior da mão de obra familiar, melhoria de benfeitorias, máquinas e equipamentos para facilitar os trabalhos e ter conforto na atividade diária.

Conhecimento adquirido e resultados apresentados garantem a satisfação dos produtores atendidos

Francine atendeu propriedades nos municípios de Santa Rosa, Santo Cristo, Cândido Godói, Novo Machado e Doutor Maurício Cardoso. Na localidade de Linha Vênus, interior de Santo Cristo, a propriedade da família de Iraci e Blásio Klein foi uma das atendidas. Francine, ao chegar para a última visita do programa no último dia 24, acompanhada de seu supervisor Jacson Schmidt, analisou, juntamente com o casal, os dados anotados.

A técnica de campo comemorou a inclusão da propriedade nas novas instruções normativas do leite. A propriedade, que trabalha exclusivamente com o leite, conta atualmente com oito vacas, sendo sete em lactação. A produção do mês de maio foi 2.521 litros de leite, recebendo R$ 1,29 por litro, tendo um custo de produção de aproximadamente 70%.

Iraci e Blásio, casados há 34 anos, trabalham na atividade leiteira também há 34 anos e esta foi a primeira vez que participaram de um programa sobre a atividade. Nos 8,3 hectares de terra que possuem, utilizam 4,7 para plantar milho para a alimentação do rebanho e o restante conta com potreiro e mato.

“Agradecemos muito à Francine e ao programa pela ajuda que recebemos aqui. Pretendemos continuar nesta atividade e estamos caprichando para sempre melhorar. A qualidade do leite produzido melhorou muito com o conhecimento que recebemos do programa. Conforme a Francine nos falou, CBT e CCS estão baixas, o que é muito bom. Aprendemos muitas coisas, nos dedicamos e vimos os resultados aparecerem”, avalia o casal Klein.

A propriedade de Delvane e Valdecir Thewes, em Esquina Thewes, também interior de Santo Cristo, estava na rota de visitas de Francine no dia 24 de junho. Lá, a média é de aproximadamente 400 litros de leite por dia. Com 36 vacas, sendo 27 em lactação, a produção mensal de maio ficou em 9.885 litros de leite, recebendo R$ 1,50 pelo litro de leite, sendo que o custo de produção é de 55%.

Dalvane conta que possuem nove hectares de área destinada para pastagens e milho. “Trabalhamos com a atividade leiteira há 15 anos. Para nós, é uma atividade rentável. A qualidade do leite melhorou bastante e também resolvemos problemas na parte reprodutiva aqui do plantel, o que foram avanços”, avalia.

Leite é a atividade que melhor remunera por área produtiva, conforme técnico de campo

O engenheiro agrônomo Enderli Viana também é um dos associados da Unitec que atuou no Mapa Leite como técnico de campo. Segundo ele, no período de realização do programa, os profissionais desenvolveram várias metodologias de trabalho no intuito de auxiliar os produtores na atividade leiteira. “Dentre tantos trabalhos realizados, destaco o gerenciamento das propriedades, fomentando o diagnóstico mensal do fluxo de caixa.”

Viana ressalta que vislumbrou diversos desafios na busca pela conscientização dos produtores pelo planejamento de seus custos de produção, bem como dos recursos disponíveis. “Sentimos-nos felizes com a sensação de termos construído algo importante em cada uma das porteiras que adentramos. Das 30 propriedades assistidas, cito a propriedade de Jorge e Leônia Padilha, no município de Jóia. Nos nove hectares utilizados para atividade leiteira, produziram, no ano, 10.030 litros/hectare, com 14 animais em produção de média anual da raça Jersey. A média anual de produção ficou em 17,8 litros/animal em produção, tendo uma margem bruta por litro de R$ 0,63, o que resultou em um lucro anual de R$ 0,31/litro.”

Ele atendeu propriedades em Jóia, Augusto Pestana, Ijuí, Independência, Boa Vista do Buricá, Alegria, São José do Inhacorá e Inhacorá. De forma avaliativa, com todas as análises realizadas nas 30 propriedades atendidas, o profissional diz que a cadeia leiteira se torna a atividade que melhor remunera por área produtiva. “Os desafios são enormes, as dificuldades estão no dia a dia, mas se formos eficientes e focados em tudo o que fizermos, nossos resultados serão cada vez melhores”, finaliza Viana.

 

Texto e fotos: Assessoria de comunicação Unitec

Jaqueline Peripolli / Jornalista MTE 16.999

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