Terceiro dia do julgamento do Caso Bernardo inicia com ânimos acirrados

Chegamos hoje, 13 de março, ao terceiro dia do Julgamento do Caso Bernardo. Nesta fase dos trabalhos, restam a ser ouvidas seis testemunhas, todas convocadas pela defesa de Leandro Boldrini. O primeiro depoente de hoje é  Luiz Omar, que realizava trabalhos de manutenção residencial para Leandro Boldrini, ainda durante casamento anterior do réu.

Ontem, terça-feira, 12, foram ouvidas 6 testemunhas, entre elas Juçara Petry, com quem Bernardo passava a maior parte do tempo, e Andressa Wagner, ex-secretária de Leandro Boldrini.

Juçara Petry pediu à juíza para depor sem a presença dos réus no Salão do Júri e sua solicitação foi atendida.  Em seu depoimento, testemunha se emocionou algumas vezes a relembrar episódios de carinho e cumplicidade com Bernardo.  Segundo ela,  em uma ocasião Bernardo confessou errar a tabuada para que o marido dela – Carlos Petry –  continuasse a ensiná- lo.

A testemunha viu Bernardo pela última vez na quarta-feira, dois dias antes do sumiço. O menino esteve na casa dela na segunda e na terça-feira.

O segundo depoimento do dia foi de Ariane Schmitt, psicóloga que atendeu Bernardo algumas vezes. Testemunha tem experiência profissional de 45 anos. Ela também pediu que os réus não estivessem presentes no Salão do Júri enquanto depõe. Perguntada pelo defensor de Graciele se Bernardo disse se odiava alguém, testemunha disse que sim, a madrasta. “Havia animosidade.”

Ariane possuía impressão que teve foi de Leandro ser um pai tangencial, sem empatia pelo filho. Autoridade era exercida com violência, com certo sadismo, disse a testemunha.

Após ocorreu o depoimento de Andressa Wagner, secretária de Leandro na clínica à época do fato. Ela contou que Graciele ordenava que Bernardo fosse mandado embora da clínica se aparecesse por lá, que não era o lugar dele. Na clínica nova, Graciele, em momento de irritação, disse que não aguentava mais o menino, e que dinheiro tinha para dar “um fim” nele, declarou a testemunha. Andressa afirmou, em seu depoimento, que nunca viu Leandro maltratar o filho. Após o desaparecimento de Bernardo, a então secretária não chegou a notar mudanças na rotina do médico. Ele teria seguido normalmente com seu trabalho, conforme ela. Conforme o depoimento, Leandro nunca lhe autorizou a preencher ou assinar receitas em seu nome. Receitas em branco deixadas no consultório, já assinadas, eram fatos excepcionais, conforme Andressa.

O momento de maior tensão foi quando o advogado de defesa de Leandro Boldrini, Ezequiel Vetoretti, relembrou a reabertura da investigação sobre a morte da mãe de Bernardo, Odilaine Uglione. Ela se suicidou em 2010, mas o caso acabou sendo reaberto em 2016. Levantou-se a suspeita, na época, que Andressa teria assinado a carta de despedida que Odilaine deixou um dia antes de se matar. Essa hipótese foi levantada por uma perícia técnica contratada pela família de Odilaine em parceria com a Rede Record de televisão.

Depôs ainda na tarde de ontem Lore Heller inicia testemunho. Trabalhou na casa de Leandro enquanto ele vivia com Odilaine.

Depois ocorreu outro depoimento importante, Marlise Cecília Henz. Ela trabalhava diretamente com Leandro no hospital. Diz que relação entre pai e filho era tranquila. Os Promotores mostram vídeo de Bernardo pedindo socorro para saber se a testemunha mantém opinião de que Leandro não teve nada a ver com a morte do menino, testemunha disse que não acredita no envolvimento de Leandro no crime.

A última depoente foi Rosângela Pinheiro, que conhece Leandro desde 2006, quando ele começa a trabalhar no hospital. “Eu não presenciei, não posso afirmar” que Bernardo fosse ao local com roupas sujas, concluiu.

O primeiro depoente desta manhã foi Luiz Omar, que  fazia trabalhos de manutenção residencial para Leandro Boldrini, ainda durante casamento anterior do réu. Durante momentos muito tensos, Luiz afirmou que que Graciele o proibiu de ter contato com Bernardo. Sobre Leandro, disse que “era um cara mais simples que eu”.

A testemunha reclamou que advogado de Edelvânia falava alto demais, e defensor disse que depoente estava mentindo. Após a sessão foi suspensa pela Juíza e retomada com as perguntas da acusação. Bernardo teria dito à esposa da testemunha que Graciele havia tentado o estrangular enquanto dormia. Testemunha disse que preferiu não falar a respeito por medo de processo e para não incomodar Leandro. “Eu queria me afastar.”

No momento está depondo Maria Lúcia Cremonese, amiga de Leandro. Conhece o réu desde o pequeno. Diz que Leandro foi criado em uma família muito dura. Testemunha foi professora de Leandro. Defensor do réu pergunta. Depoente diz que, criança na escola, Leandro não reagia mesmo quando xingado.

(Foto: Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *